Especial: Os carros alternativos, biodiesel, etanol,
híbridos, gás natural e hidrogênio.
Com todo o barulho sobre os carros híbridos nos EUA,
o biodiesel e etanol no Brasil e a redução das emissões no mundo, muitos de nós
tentamos fazer a coisa certa: Comprar um carro que não aumente nossa
dependência pelo petróleo, solte menos CO2 no ar, ajude o meio ambiente e
principalmente, que seja barato e nos ajude a economizar. As escolhas estão
melhorando, mas ainda é um mercado limitado.
Vejamos as opções:
Híbridos
A recente moda dos norte-americanos sobre os
automóveis híbridos mostra que as forças de mercado estão se unindo ao ambientalismo.
Ter um carro que faz 21 km por litro é bom para economizar e ajuda a consumir
menos petróleo.
Híbridos trabalham capturando a energia criada
quando os freios do carro são ativados. Aquela energia é armazenada em baterias
e usada sempre que possível, no lugar do combustível.
Prós
Rendimento: A
Agência de proteção ao meio ambiente dos EUA (EPA) calcula para o Prius da
Toyota (modelo popular nos EUA, veja foto ao lado) faz na cidade 25,5 km por
litro e 21,5 km por litro na estrada.
Eles são silenciosos, muito silenciosos e oferecem
um passeio suave.
Eles andam com gasolina; que é possível encontrar em
qualquer lugar.
Contras
Baterias: Há
muita especulação sobre a durabilidade das baterias nos carros híbridos, mas o
comprador do primeiro Prius da Toyota nos EUA (motorista de táxi) andou quase
290.000 quilômetros sem precisar trocar a bateria, isso é um bom sinal.
Escolha de veículo: Até recentemente nos EUA, só era
possível encontrar carros pequenos usando tecnologia híbrida. Os fabricantes
reconheceram a popularidade dos híbridos e começaram a fazer utilitários
esporte (carros maiores, chamados de SUV pelos norte-americanos) com a
tecnologia.
Veículos que precisam de bastante potência (como
caminhonetes, caminhões e os utilitários esporte) melhoram o rendimento com
tecnologia híbrida. Mas a melhora não é grande coisa, e normalmente o preço
desses veículos pesados é muito maior com essa tecnologia. Pare se ter uma
idéia, um modelo mais robusto bastante popular na América do Norte, o Escape da
Ford (foto ao lado), tem um rendimento na cidade de 9 e na estrada de 12
quilômetros por litro, uma média de 11 km por litro. O mesmo carro sem a
tecnologia híbrida faz 5 por litro na cidade e 11 na estrada, uma média de 7 km
por litro..
Preço: A diferença de consumo é grande, mas os
custos dessa tecnologia, nos carros que exigem mais, é muito grande. Para este
modelo da Ford, a diferença de preço do híbrido é de 8,000 dólares.
BioDiesel
Ultimamente
existe certa confusão sobre o que é biodiesel, mas é o seguinte: Biodiesel não
é óleo vegetal, somente depois que retirar a glicerina do óleo vegetal é que
temos biodiesel.
Hoje no Brasil, embora seja muito difícil de
encontrar, temos biodiesel sendo vendido nos postos, vendido na forma de B2, 2%
de biodiesel e 98% de diesel.
A coisa mais importante que você precisa saber sobre
biodiesel é que qualquer motor diesel hoje pode usar biodiesel. É possível
alternar entre biodiesel e diesel a qualquer momento, exatamente como acontece
com os carros flex, gasolina e álcool.
Existem também pessoas que modificam os motores
dieseis para rodar com óleo vegetal direto. Esses vão atrás de restaurantes e
pegam toda a gordura das frituras, também compram óleo de cozinha para
abastecer suas máquinas, ou com simples extração mecânica de sementes
oleaginosas conseguem seu combustível.
Óleo vegetal e biodiesel são animais diferentes na
mesma família. Biodiesel causa muito menos incômodo que o óleo vegetal.
Prós
Mais baixas
emissões: Quanto mais biodiesel for usado na mistura com o diesel, mais baixo
suas emissões.
Versatilidade: Outro benefício para o consumidor é a
habilidade para trocar entre diesel e biodiesel sempre que precisar.
Modelos: No Brasil é
proibido carros de passeio rodarem com diesel, mas isso tende a mudar uma que
vez que as emissões do biodiesel são menores. Os grandes beneficiados no momento seriam os trabalhadores
do campo com maquinário movido a diesel.
Custos: O preço do biodiesel B2 vendido em alguns postos pelo Brasil custa
apenas alguns centavos mais caro que o diesel, mas a tendência é o preço ficar
mais barato, com a melhor tecnologia na produção de biodiesel e o aumento do
preço do petróleo.
Contras
Emissões: Embora carros com biodiesel emitam menos CO2, eles ainda soltam
algumas partículas poluentes. Fabricantes americanos de biodiesel estão
pesquisando aditivos que tornarão o biodiesel mais limpo.
Tempo frio: Esteja atento aos problemas de viscosidade em tempos de temperatura
baixa. Quanto maior a mistura de biodiesel usada, mais viscoso o combustível se
torna em temperaturas muito baixa.
Gás natural
Gás natural é um combustível de queima limpa. Ponto para o ambiente,
pois ele colabora para acabar com a poluição. Mas gás natural ainda é um
combustível fóssil, resultado da decomposição da matéria orgânica fóssil no
interior da Terra. O gás natural é utilizado nos transportes em ônibus e
automóveis, substituindo o óleo diesel, a gasolina e o álcool.
Prós
Preços de combustível: O custo de GNV (gás natural veicular) é tradicionalmente
mais barato que outros combustíveis. Por isso que muitas pessoas estão
escolhendo o GNV. Dependendo do veículo e da região, a economia proporcionada
pelo GNV em relação à gasolina pode chegar a 65% por quilômetro rodado.
Longevidade: A durabilidade dos carros é maior que os a gasolina tradicionais
porque é combustível de queima limpa.
Contras
Opções: Os veículos não saem de fábrica com essa opção é preciso ir a uma
oficina fazer a conversão. Mas aos poucos algumas montadoras começam a oferecer
algumas opções com GNV. O preço de conversão de veículos flex para uso de gás
natural varia em torno de R$ 2,5 mil.
Distância: O gás natural tem o volume duas vezes maior que a gasolina (Precisa
do dobro do espaço da gasolina para ser equivalente em eficiência), um tanque
cheio de GNV não te levará tão longe quanto um tanque cheio de gasolina.
Política: O governo já sinalizou que a prioridade do gás irá para as indústrias
e as térmicas, e não para o GNV.
Bolívia: A estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscais Bolivianos)
controla boa parte do gás natural que chega no Brasil, assim novas altas de
preço aplicadas pela estatal boliviana (como a que aconteceu no começo do ano),
influem no preço aqui no Brasil.
Postos: Os locais para abastecimento de GNV não são muito comuns, mas em
cidades grandes não é difícil encontrar um posto que disponibilize o GNV.
Se você quer saber se em sua cidade possui algum posto de GNV de uma olhada no
site:
http://maplink.uol.com.br/gnv/index.htm
Etanol
Etanol é um combustível feito principalmente através da cana de açúcar.
Nos EUA é utilizado bastante na forma E85; é uma mistura de 85% de etanol e 15%
de gasolina. No Brasil este combustível é largamente utilizado e possui um alto
balanço energético, estudos indicam que para cada unidade de energia investida,
são produzidas cerca de 8,3 unidades de energia renovável. O preço desse
combustível é mais barato que a gasolina, porém seu rendimento é menor,
principalmente nos carros bi combustível. O Etanol é um excelente combustível
alternativo: é produzido inteiramente aqui no Brasil, renovável e ainda reduz
as emissões.
Prós
Versatilidade: Os veículos bi combustível permitem usar álcool ou gasolina em
qualquer proporção. A sua única preocupação ao chegar no posto deve ser o
preço.
Preço: O preço do etanol, como mencionado acima, é menor que o da gasolina.
Escolha do carro: A variedade de carros disponível é grande. Os fabricantes
abraçaram a tecnologia bi combustível e é possível encontrar muitas opções de
modelos que rodam com etanol e gasolina.
Contras
Rendimento: Embora os preços sejam mais baixos que a gasolina, o rendimento nos
modelos Flex é menor. Na hora de abastecer divida o preço do álcool pelo preço
da gasolina. Multiplique o resultado por 100. Se o resultado for menor que 70,
não pense duas vezes, encha o tanque de álcool.
Usineiros: A produção está nas mãos dos usineiros, e os preços estão sujeitos a
variação de acordo com a capacidade de produção. Em março de 2006 os preços
tiveram a maior elevação mensal dos últimos três anos.
Carros verdadeiramente a álcool: No Brasil o país que lançou a tecnologia do
motor a álcool, não é possível encontrar um só carro zero com motor a álcool.
Bicombustível tem em todo lugar, mas o que apresenta o melhor rendimento são os
carros com motores exclusivamente a álcool.
Hidrogênio
Muito exagero foi feito sobre os carros de hidrogênio. A realidade é que
eles não estão acontecendo agora e ainda vão demorar a acontecer. Não existe
nenhum modo viável de se fazer combustível de hidrogênio sem converter
combustíveis fósseis, nenhuma infra-estrutura, e nenhum fabricante planeja uma
linha de veículos de hidrogênio.
O plano do governo brasileiro para o hidrogênio não prevê nada de concreto para
o consumidor até 2020.
Combustíveis do
futuro
Eletricidade
Prós: A maior vantagem em relação aos motores a combustão interna é que não emite
gases poluentes e sua recarga poder ser feita em uma tomada enquanto o veículo
está estacionado, a baixo custo.
Contras: O peso das baterias, o elevado tempo para a recarga completa e a
pequena autonomia dos veículos. Carros híbridos podem atenuar esses problemas.
Há também a preocupação com o aumento e o tipo de geração de energia elétrica
Biocombustível
Prós: É uma fonte de energia renovável e mais limpa que os correspondentes
fósseis. Aproveita a tecnologia já existente dos motores.
Contras: A agroenergia é sujeita às variações de clima, pragas e sazonalidade,
com oscilação de preços. Há que considerar a potencial disputa de terras com
culturas alimentícias e o avanço sobre florestas
BTL
Prós: Boa quantidade de matéria-prima disponível, baixa emissão de CO2
Contras: Necessita de grandes investimentos em tecnologia. Alternativa para o
longo prazo
GTL
Prós: Tecnologia já existente, zero emissões de enxofre, boa eficiência nos
motores
Contras: Necessita de altos investimentos em refinarias
Hidrogênio
Prós: Não polui. O resíduo descartado pelo escapamento é apenas água
Contras: O armazenamento. É um gás muito leve e precisa ser comprimido a
pressões elevadas, o que consome energia. Outra preocupação é com a geração de
hidrogênio, a tecnologia dos veículos e a rede de distribuição, ambas muito
caras.
Autor: Sidney Luis Lopes de Jesus